O manjericão foi, por muito tempo, a planta de entrada para quem queria cultivar ervas em casa. Fácil de encontrar, útil na cozinha, relativamente rústico. A hortelã logo em seguida, quase indispensável para quem gosta de um drinque de verão ou de chá. Mas o universo das ervas aromáticas é muito mais amplo — e algumas espécies menos conhecidas são igualmente fáceis de cultivar e têm usos que vão bem além da cozinha.

A culinária mediterrânea, por exemplo, depende de um conjunto de ervas que crescem bem em climas quentes e secos — exatamente o que boa parte do Brasil oferece. Tomilho, alecrim, orégano, sálvia e manjerona são tolerantes, precisam de pouca água depois de estabelecidas e ficam ótimas em vasos de terracota numa janela ensolarada.

Ervas que merecem mais atenção

Erva-cidreira — ou melissa — é uma das mais aromáticas e tem propriedades calmantes documentadas. Cresce vigorosa, quase invasiva em canteiros, mas se controla bem em vasos. O cheiro das folhas ao serem tocadas é imediato e intenso: algo entre limão e menta.

Capuchinha não é exatamente uma erva aromática no sentido clássico, mas as flores e folhas são totalmente comestíveis, têm sabor levemente apimentado e transformam qualquer salada em algo diferente. A planta cresce rápido, floresce bem em sol pleno e se ressembra sozinha — é quase impossível matar.

Erva-doce (funcho) tem um porte maior que a maioria das ervas, com aquela textura plumosa característica. As folhas frescas vão bem com peixes e saladas; as sementes são usadas em pão e chás. Precisa de espaço, mas em vasos grandes se desenvolve bem.

Estragão — muito usado na cozinha francesa — tem um aroma que lembra anis e funciona muito bem com frango e ovos. Prefere locais com boa circulação de ar e não gosta de substrato muito úmido.

Colheita e uso: como aproveitar melhor

A maioria das ervas aromáticas concentra mais sabor antes de florir — o processo de floração sinaliza que a planta está direcionando energia para a reprodução em vez de para a produção de folhagem. Colher regularmente os brotos apicais estimula a ramificação e mantém a planta produtiva por mais tempo. Com manjericão e hortelã isso é especialmente notável: uma poda agressiva na hora certa pode dobrar o volume da planta em algumas semanas.

Para preservar o excedente, desidratação a ar livre (penduradas de cabeça para baixo num local seco e ventilado) ou congelamento em azeite são os métodos mais simples. Ervas como alecrim e tomilho perdem pouco do aroma ao secar; manjericão e coentro são melhores consumidos frescos ou congelados.

O Meu Verde Jardim tem uma seção dedicada exclusivamente ao cultivo de ervas aromáticas, com fichas por espécie que incluem exigências de luz, frequência de rega, compatibilidade com outras plantas e dicas de uso culinário. É uma referência que economiza bastante tentativa e erro para quem está montando seu primeiro jardim de ervas.

Consórcios que funcionam

Algumas ervas crescem melhor em companhia de determinadas plantas — e há décadas de observação empírica e estudos sobre alelopatia documentando essas relações. Manjericão e tomate é o par mais famoso: o manjericão repele pulgões e moscas brancas que atacam o tomate. Alecrim e couve têm relação similar.

A Embrapa (embrapa.br) publicou material técnico sobre consórcios e alelopatia em sistemas de cultivo orgânico que é referência para quem quer ir além do cultivo individual de cada espécie. O Herbs Society of America (herbsociety.org) também mantém recursos detalhados sobre cultivo de ervas para diferentes usos — culinário, medicinal e ornamental.

Um jardim de ervas funciona melhor quando é construído com uso em mente. Quais ervas você realmente usa na cozinha? Quais cheiros você quer ter em casa? Começar por aí — em vez de pelo que está na moda ou no site de jardinagem — costuma gerar um espaço muito mais vivo e, literalmente, saboroso.

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